Eu não quero terminar aquele filme que eu
meio que gostei agora, não quero parar de gostar dele. Eu não quero ler o final
daquele livro que eu meio que gostei agora, não quero cansar dele. E é isso que
estou fazendo com tudo que gosto na minha vida: não vivendo pra não para de
gostar. Freud explica?!
Nem eu explico. Sou adepta ao sentir sem
medo, viver sem receio, se jogar sem amarras. Acredito na vida, no amor e nas
possibilidade de recomeço. Mas... Simplesmente não flui.
Meio que canso de tudo, fico sem paciência,
sem vontade ou persistência.
Será medo? Será falta do tal do
"Q"? Será orgulho? Será aquela história antiga? Será aquela (não)
história atual?! Será que será?... ou será que de fato nada disso é pra ser? E
finalmente, o que é pra ser a gente escolhe ou já vem escrito na nossa vida (ou
destino)?
Clarice Lispector falava assim: "Perdi
alguma coisa que me era essencial, e que já não me é mais.Não me é necessária.
Assim como se eu tivesse perdido uma terceira perna que até então me
impossibilitava de andar, mas que fazia de mim um tripé estável. Essa terceira
perna eu perdi.E voltei a ser uma pessoa que nunca fui . Voltei a ter o que
nunca tive: apenas as duas pernas. Sei que somente com as duas pernas é que
posso caminhar. Mas a ausência inútil da terceira perna me faz falta e me
assusta, era ela que fazia de mim uma coisa encontrável por mim mesma, sem
sequer precisar me procura"
Me livrei do tripé, andei, conheci caminhos
e lugares novos que precisavam ser experimentados, munida apenas de minha
própria companhia. Era assim que tinha que ser. Era assim que eu quis (e
escolhi) que fosse. Mas como ser um tripé que caminha?! Como deixar alguém
participar dessa coisa que chamo de vida, sem perder a essência?! Como criar
raiz e permanecer em movimento? Como ser dois sem deixar de ser um?!
Sempre que a gente escolhe algo, está
disposto abrir mão de outra coisa tão importante quanto. Mas o que é
fundamental para o nosso crescimento e essência? Como crescer sem se perder?
Como pluralizar a singularidade das pequenas coisas que só percebemos em paz
com nossos pensamentos?! Até que ponto a dúvida é sinal divino?
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