domingo, 21 de setembro de 2014

Sobre as vantagens (e desvantagens) de escolher

Eu não quero terminar aquele filme que eu meio que gostei agora, não quero parar de gostar dele. Eu não quero ler o final daquele livro que eu meio que gostei agora, não quero cansar dele. E é isso que estou fazendo com tudo que gosto na minha vida: não vivendo pra não para de gostar. Freud explica?!
Nem eu explico. Sou adepta ao sentir sem medo, viver sem receio, se jogar sem amarras. Acredito na vida, no amor e nas possibilidade de recomeço. Mas... Simplesmente não flui.
Meio que canso de tudo, fico sem paciência, sem vontade ou persistência.

Será medo? Será falta do tal do "Q"? Será orgulho? Será aquela história antiga? Será aquela (não) história atual?! Será que será?... ou será que de fato nada disso é pra ser? E finalmente, o que é pra ser a gente escolhe ou já vem escrito na nossa vida (ou destino)?

Clarice Lispector falava assim: "Perdi alguma coisa que me era essencial, e que já não me é mais.Não me é necessária. Assim como se eu tivesse perdido uma terceira perna que até então me impossibilitava de andar, mas que fazia de mim um tripé estável. Essa terceira perna eu perdi.E voltei a ser uma pessoa que nunca fui . Voltei a ter o que nunca tive: apenas as duas pernas. Sei que somente com as duas pernas é que posso caminhar. Mas a ausência inútil da terceira perna me faz falta e me assusta, era ela que fazia de mim uma coisa encontrável por mim mesma, sem sequer precisar me procura"

Me livrei do tripé, andei, conheci caminhos e lugares novos que precisavam ser experimentados, munida apenas de minha própria companhia. Era assim que tinha que ser. Era assim que eu quis (e escolhi) que fosse. Mas como ser um tripé que caminha?! Como deixar alguém participar dessa coisa que chamo de vida, sem perder a essência?! Como criar raiz e permanecer em movimento? Como ser dois sem deixar de ser um?!


Sempre que a gente escolhe algo, está disposto abrir mão de outra coisa tão importante quanto. Mas o que é fundamental para o nosso crescimento e essência? Como crescer sem se perder? Como pluralizar a singularidade das pequenas coisas que só percebemos em paz com nossos pensamentos?! Até que ponto a dúvida é sinal divino?


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